Como me Percebo?

Uma das questões que comprometem nosso bem estar psicológico e uma boa saúde mental é a baixa autoestima, motivo frequente de sofrimento. Estimamos as pessoas que amamos. Cuidamos delas, tentamos não machucá-las, buscamos fazê-las felizes. E quanto a nós? Que estima temos tido com a nossa própria existência?


A autoestima está em como me percebo, nas escolhas que faço para mim, nos tipos de relacionamentos que me envolvo... Quanto mais eu me gosto, mais escolhas positivas eu faço para a minha vida. Quanto menos me gosto, mais me contento com qualquer coisa, qualquer amor, qualquer opção. Se não me amo, não consigo me apropriar da possibilidade de que o outro me ame. É bastante comum que pessoas com baixa autoestima acabem gostando sempre das pessoas que não gostam dela, pois alimentam um pensamento inadequado e muitas vezes inconsciente de que, “se sou tão pouco, quem gosta de mim deve ser menos ainda”.

Uma das causas de termos pouco amor ao que somos é um ambiente falho sem validações positivas no desenvolvimento, o que nos desperta uma falta de credibilidade. Mas este ambiente falho não é o único causador e tampouco serve como justificativa para a permanência desse quadro de sofrimento. É preciso entendermos quem somos e os atributos que temos. Todos podemos mudar características de nossa personalidade se estivermos dispostos a trabalhar e a investir nessa mudança.

No processo psicoterápico o primeiro passo a ser verificado é como o indivíduo se percebe, e a partir daí buscar a reconstrução e identificação de quem ele realmente é. O nível de autocrítica de quem tem a autoestima baixa é muito elevado, e o outro é usado como parâmetro, alimentando ainda mais a sensação de invalidez por não sabermos administrar nossas capacidades e nosso poder interno. É importante começar reconhecendo as pequenas conquistas do dia a dia - um projeto que foi escrito, uma atividade que foi bem feita, e a partir daí, realizar pequenas mudanças que poderão ter impacto importante nos resultados. Sempre desafio meus pacientes a fazerem todos os dias uma coisa boa para eles mesmos, por mais simples que seja, e percebo que a grande maioria tem uma dificuldade enorme em conseguir colocar o desafio em prática.

A forma como nos vemos influencia diretamente nas coisas que fazemos, em como nos relacionamos com as pessoas e nos resultados que obtemos. Se não vem de dentro o nosso amor próprio, que possamos usar nosso lado racional e com as técnicas disponíveis despertar o interesse pelo que somos. Comece deixando de se comparar com os outros. Cada ser humano é único e possui qualidades e características muito individuais. Se conscientize dos seus pontos fracos e fortes e se aproprie deles. E pra dar início: comece fazendo uma coisa boa para você todos os dias.
 

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