De pessoa para pessoa

No começo, o ser humano tem uma perspectiva clara de valores. Prefere alguma coisa e experiências, e rejeita outras. Porém, numa tentativa de receber e conservar amor, aprovação e consideração, o individuo renuncia aos poucos o centro de avaliação que possuía inicialmente, e o coloca nos outros. Aprende a ter uma desconfiança básica em sua experiência, adquire um grande número de valores ja pensados, e os adota como seus, embora possam ser muito discordantes do que está sentindo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Acredito que este retrato de indivíduo, cujos valores dos outros são quase sempre mantidos como conceitos fixos e raramente examinados ou postos à prova, é o retrato de quase todos nós. Ao aceitarmos as concepções dos outros como se fossem nossas, perdemos o contato com a sabedoria potencial de nosso funcionamento e perdemos a confiança em nós mesmos. E como estes conceitos de valor estão frequentemente em aguda contradição com o que ocorre em nossa experiência, divorciamo-nos fundamentalmente de nós mesmos e isto explica grande parte da tensão e da insegurança contemporâneas.

Alguns indivíduos têm a sorte de ultrapassar o quadro apresentado e desenvolver-se mais na direção da maturidade psicológica. Na psicoterapia vemos muito isso acontecer quando propiciamos um clima favorável ao crescimento da pessoa. É quando o ser humano sente e compreende que é apreciado como pessoa que pode lentamente começar a valorizar os diferentes aspectos de si mesmo. E o que é ainda mais importante, consegue, a princípio com muita dificuldade, começar a perceber e a sentir o que ocorre no seu íntimo, o que está suportando e como está reagindo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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À medida que a vivência se torna cada vez mais aberta, e a pessoa é capaz de viver mais livre no processo de seus sentimentos, então começam a ocorrer mudanças significativas em sua perspectiva de valores, e esta perspetiva começa então a adquirir muitas das características que tinha na infância.
 

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